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          Meu nome  Tartaruga

          Coleo Pontos de Vista

          Ricardo Azevedo

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Impresso Braille em volume 
nico na diagramao de 28 
linhas por 34 caracteres, sem 
interponto, da editora Ediouro, 1 edio.
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           Volume nico

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
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          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
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                               I
          Dados do livro em tinta

          Copyright (C) Ricardo 
          Azevedo
 
          Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.  proibida a reproduo total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorizao prvia, por escrito, da editora.

          Coordenao editorial
          Maria de Lourdes A. Arajo

          Produo editorial 
          Armando Gomes
 
          ISBN 85-00-00529-7

          Ediouro Publicaes S. A. 
          Rua Nova Jerusalm, 345
          21042-230 Rio de Janeiro -- RJ
          Tel.: (021) 560-6122 
          Fax: (021) 280-2438
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                            II
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CIP -- Brasil. Catalogao-na-fonte
 Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

A988`m   

Azevedo, Ricardo
              Meu nome  tartaruga / 
  / Ricardo Azevedo; ilustraes do autor. -- Rio de 
  Janeiro: Ediouro, 1999.
  : il.. -- (Coleo Pontos de vista)

	ISBN 85-00-00529-7

          1. Literatura infantil I. 
          Ttulo. II. Srie. 

                    CDD 028`.5        
98-1895         CDU 087`.5
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                            III
  Ricardo Azevedo, nascido em 1949,  escritor e ilustrador paulista. Autor de mais de 90 livros para crianas e jovens, acredita que a literatura, principalmente a infantil,  uma forma de se tentar compreender a vida e o mundo. Tem livros publicados na Alemanha, Portugal, Mxico e Holanda, j tendo editado trs colees infanto-juvenis.  bacharel em Comunicao Visual, mestre em Letras pela Universidade de So Paulo, doutorando na rea de Teoria Literria, tambm na USP, pesquisador na rea da cultura popular, torce pelo Santos, gosta de po de queijo e cala 43.

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                             IV
Coleo Pontos de Vista

  A coleo Pontos de Vista mostra o quanto  difcil conviver, compreender as diferenas de quem vive perto de ns.
  Numa mesma casa moram um cachorro, um gato, uma tartaruga, um sapo, uma menina e um menino. Cada um tem sua opinio sobre si e sobre os outros, seus gostos, suas manias, seu jeito de ser.
  A proposta desta coleo possibilita que a classe se divida em grupos para ler ttulos diferentes. Depois todos trocam de livros, trocam idias, ensinam, aprendem, respeitam, exercem a cidadania, a *solidariedade*, a 
 *tica* e a *pluralidade cultural*.
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                               V
Prezado(a) Leitor(a),

  Este livro  de uso coletivo. Como, alm de voc, muitos leitores tero acesso a ele, certos cuidados ao utiliz-lo so muito importantes:
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 manuseie-o com as mos limpas.
 evite comer ou beber enquanto estiver lendo.
 procure mant-lo bem conservado, sem rabiscos, dobras e sem recortes.
 ao concluir a leitura, devolva-o para a biblioteca. 
  Contamos com sua colaborao.
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Boa leitura.
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  Meu nome  tartaruga. Moro aqui h vinte e oito anos, cinco meses, duas semanas e trs dias. Antigamente, o dono da casa era um homem imenso, careca, casado com uma mulher imensa com um pano na cabea. O casal tinha dois filhos: um menino imenso e outro menino imenso, um pouco menor.
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  Todo dia de manhzinha, a mulher de pano na cabea vinha regar o jardim. Regava as plantas, as rvores, o gramado e tinha mania de me regar tambm. Era at gostoso. Fora isso, a mulher sempre trazia um pouco de banana para eu comer. O tempo passou. O homem imenso e careca ficou velho e foi embora. A mulher imensa de pano na cabea ficou velha e foi embora.
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  O menino imenso espichou, deixou crescer o bigode e nunca mais apareceu. O menino menos imenso cresceu, ficou alto e careca, casou com uma mulher imensa de pano na cabea e mora aqui at hoje. O 
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  5    meu nome  tartaruga    2
casal tem dois filhos: uma menina imensa de culos e um menino imenso de cabelo espetado.
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  Aqui nessa casa, j moraram muitos bichos. Gatos, por exemplo, acho que j foram mais de sete. Nunca vou me esquecer de um cinzento de rabo grosso. Foi o maior caador de ratos e passarinhos que eu j vi at hoje. Sabia deitar de costas no cho e ficar parado durante horas fingindo-se de morto.
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  O rato aparecia no alto do muro, farejava o gato e ficava com medo. O gato no cho no mexia um msculo e ainda abria a boca com a lngua parada para fora. Eu ficava espiando de longe. No fim, o coitado do rato acabava descendo pelo galho da rvore para procurar comida perto da cozinha. De repente -- zs -- o gato saltava nas costas do rato, o bicho gritava socorro, mas a j era tarde.
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  Com os passarinhos, o danado usava a mesma tcnica. Depois, 
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ficava passeando risonho pelo jardim, com a boca cheia de penas amarelas, ronronando, miando e arrotando feliz da vida.
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  O gato que mora agora aqui  um infeliz. No pra em casa, no est nem a, s quer saber de comer e dormir e no sabe nem caar direito, tanto que outro dia fugiu de uma ratazana enfezada. Eu vi! No vou falar do sapo porque ele no larga o meu p e  a coisa mais mole, flcida e horrorosa do jardim inteiro. Alm disso, quando cisma de cantar  noite, ningum consegue dormir.
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  Um casal de galinhas d'angola morou aqui faz tempo. Passava o dia assim, o marido gritando: -- t fraco! a esposa respondendo: -- t fraco! Um dia, a mulher imensa de pano na cabea perdeu a pacincia, pegou os dois pelo pescoo, levou para a cozinha e eles nunca mais voltaram.
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  Teve tambm um coelho, dois *hamsters*, vrios passarinhos 
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engaiolados, um papagaio que sabia gritar socorro, chamar a polcia e que, de vez em quando, fazia voz grossa e gritava: "Cacete de cobra!", isso fora os cachorros.
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  Que eu me lembre, o primeiro que morou aqui foi um grando imenso e peludo. O bicho era muito obediente, sabia dar a pata, bater continncia, ficar em p abanando o rabo, fazia suas necessidades sempre no mesmo lugar e no fugia nem quando o dono da casa esquecia o porto aberto. 
 Acontece que o homem imenso e careca tinha uma coisa barulhenta de ferro que anda. Uma noite, o cachorro olhou a coisa parada na garagem, chegou perto, farejou e teve uma triste idia. Resolveu mordiscar ela inteirinha.
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  Lembro dele mastigando inocente e feliz. Puxou todos os fios, arrancou e comeu as partes moles, roeu, quebrou e ainda fez um furo no lugar de sentar.
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  No dia seguinte, o patro apareceu, de capacete, luva, casaco de couro, cachecol e bota. Ficou paralisado na frente da coisa barulhenta de ferro. Depois, foi tanta gritaria que sinto medo at hoje s de lembrar.
  O cachorro que veio depois era um desses baixinhos de orelha cada com corpo comprido e pata curta. Era o contrrio do primeiro: se deixassem a porta da cozinha encostada, entrava e roubava comida; se esquecessem o porto aberto, fugia para a rua; se bobeassem, entrava em casa, subia na cama e se escondia debaixo do cobertor para tirar uma soneca.
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  O coitado vivia apanhando e levando bronca mas acho que no ligava. Uma vez, achou a carteira do homem imenso e careca cada na rampa e comeu tudo: a carteira propriamente dita, muitas notas de papel, umas bolinhas chatas de ferro e uns pedaos de papel com a cara do patro presa. Como no 
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sobrou nada, ningum desconfiou dele.
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  Lembro do dono da casa e da mulher imensa de leno na cabea desesperados, segurando uma lanterna, procurando a carteira perdida. No dia seguinte, o cachorro teve uma dor de barriga daquelas. No meio do coc, apareceu uma nota rasgada e mastigada, pedaos de couro e plstico, duas bolinhas chatas de ferro e um papel colorido com a cara da mulher imensa. Melhor nem lembrar o que aconteceu!
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  Nos dias de hoje, tem outro cachorro morando aqui em casa.  grande, forte, elegante, gil, perfumoso, esbelto e tem o plo to sedoso que parece veludo. Preciso confessar uma coisa. 
 Acho que estou apaixonada pelo cachorro aqui do jardim. Nem sei como explicar: foi amor  primeira vista. Meu corao at treme.
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  Ele  lindo.  fofo. Sabe latir bonito.  alegre.  valente, 
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se bem que outro dia, soltaram fogos, bombinhas e rojes. O coitado ficou to assustado que se agarrou no tronco, trepou na rvore, subiu e ficou l no alto chorando sem saber descer.
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  s vezes  noite, depois que todos j foram dormir, eu saio do meu cantinho e vou espiar o cachorro. Em geral, ele dorme na varandinha. Chego de mansinho e fico s olhando. Gosto do jeito como ele apia a cabea sobre as patas. Gosto do focinho arrebitado dele. Gosto dos suspiros que ele solta de vez em quando e at das pulguinhas passeando no meio dos seus plos de veludo.
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  Eu sei que eu sou s uma simples tartaruga. Eu sei que eu sou meio sem graa. Posso at ser um pouco envergonhada, mas sei que sou muito legal. J passei mais de mil vezes perto dele andando devagarinho s para ver se ele repara em mim. Ele no est nem a.
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  No faz mal. Acho esse cachorro um bobalho. No entende das coisas. No sabe como eu sei ser carinhosa, como eu sou delicada, como eu sei falar coisas bonitas bem baixinho. Se ele ficasse comigo, eu ia contar mil histrias para ele dormir, ia fazer massagem nas costas dele, ia catar suas pulguinhas, ia fazer cafun atrs da orelha e ainda enchia ele de beijinhos.
  Azar dele!

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra